THOUSANDS OF FREE BLOGGER TEMPLATES

Hip Hop Tuga

A minha foto
Arruda Dos Vinhos, Lisboa, Portugal

HipHop Tuga

Das ruas de Nova Iorque para os subúrbios Portugueses ...
O hip hop chegou a Portugal na década de 80. Primeiro invadiu os guettos mas depressa se generalizou. Saído dos cinemas americanos na década de 80, o hip hop chegou a Portugal e infiltrou-se nos subúrbios da cidade de Lisboa e do Porto. Zonas como Chelas, Amadora, Cacém, e Margem Sul do Tejo foram consideradas o berço deste movimento.
Da América, o hip hop trouxe a moda da streetwear, usada em Portugal pelos mais novos e os quatro elementos fundamentais: o MC'ing, o DJ'ing, a break-dance e o graffiti. Nos becos, juntavam-se os putos de rua, vestidos com sweatshirts Bana, ténis de marca e atacadores largos, levando rimas feitas em casa, numa espécie de crew à portuguesa.
Foi com o álbum Rápublica dos Black Company lançado em 1994 que o hip hop se afirmou de vez entre os tugas. O refrão "Não sabe nadar, yo" depressa chegou às bocas do povo. Até o Presidente da República da altura, Mário Soares, o usou num dos seus discursos acerca da polémica das gravuras de Foz Côa : "As gravuras não sabem nadar, yo!".
Apesar do boom, o hip hop acabou por cair em desuso entre as massas juvenis, perdendo o compasso do estrangeiro, embora se continuasse a sentir nos arredores da capital.
Começaram a despertar projectos marginais, mais alternativos e caseiros, sem quaisquer preocupações comerciais. Como referiu Sam the Kid, uma das estrelas do hip hop nacional, numa entrevista ao Mundo Universitário, "as pessoas quando começam a fazer música não pensam no negócio, pensam só em criar".
Depois de 10 anos a fermentar, o movimento surgiu agora em grande forma pelas mãos das editoras mais perspicazes que uniram o útil ao agradável.
Apostaram, assim, na fusão entre o rap e vários estilos musicais (Crossovers) para atingir um público -alvo bastante selectivo - os jovens.
Hoje em dia, fala-se de dois rumos do hip hop, o puro ou underground, da rua e o outro, aquele que é fabricado pelo marketing, nos ginásios e na MTV. Abandonou os guettos e saltou para a sociedade consumista. Apesar disto, o hip hop genuíno resiste no corpo e na alma daqueles que o sentem como uma verdadeira filosofia de vida e não uma moda "made in USA".


Etiquetas

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

XEG



Mc Xeg é um MC português, figura proeminente do Hip-Hop nacional, com três albuns já lançados.
O lançamento do seu disco de estreia realizou-se em 2001 com o nome Ritmo e Poesia, tendo-se registado uma elevada receptividade por parte do público. Com um currículo extenso que incluí participações em álbuns e Mixtapes, já considerados clássicos, com Sam The Kid, Bomberjack, DJ Cruzfader, e outras mais recentes com Nbc, Kacetado, MatoZoo, Núcleo.
Ao longo da sua carreira Xeg, caracteriza-se por controlar a mesma, da forma como controla a sua vida — simples. Sem restrições, fala do que vê e sente, o que lhe tem rendido alguma animosidade e, claro, a falta de reconhecimento típica de quem lidera e não segue. Sejam os tópicos sociais como o racismo, a guerra no Iraque ou as políticas governamentais, aborda também as questões passionais, ou direccionados para o interior da cultura Hip-Hop. O resultado tende a manifestar-se numa honestidade músical, arrasadorora e directa.
Vivendo e respirando Hip-Hop, da forma mais pura, este rapper dos anos oitenta, faz questão de nunca esquecer as quatro vertentes nos seus discos. E o álbum Conhecimento, não foge à regra, sendo um disco de batidas harmoniosas e melódicas, maioritariamente produzido pelo próprio, podendo considerar-se este segundo registo, como um filme da sua vida, onde muitas histórias são deliciosamente contadas.

Bob da RAge Sense

Portugal - De Lisboa, onde reside, o destacado rapper angolano Bob da Rage Sense coloca dia 28 no mercado (FNAC Colombo) a terceira obra discografica entitulada “Menos Pão Luz e Água”, provavelmente mais uma das suas em que os habitos da Governação angolana não é poupado, como observou um analista.

Bob da Rage SenseBob da Rage Sense, de nome de registo Robert Montargil da Silva, nasceu em Luanda (Angola) em 1982. Teve um contacto directo com o mundo da música, pois seu pai era um grande admirador do lendário Robert Nesta Marley (Bob Marley), Peter Mackintosh e os The Wailers. Mas o Soul, o Punk e o Rock também fizeram parte dos seus gostos pessoais. Consoante o seu crescimento, Bob viveu grandes momentos com a sua família, tendo adquirido a sua perspectiva política desde muito cedo. Em 1994 Bob integra-se na cultura hip-hop somente como ouvinte de grupos como Public Enemy, Beasty Boys, Boogie down productions, Erick B e Rakim, House of pain, Cypress hill, entre outros. Bob juntamente com Raf Tag seu primo, tornaram-se nos MCs de batalha mais conhecidos do movimento hip-hop em Luanda. DJ Samurai cria a famosa label independente "Madtapes", e convida assim Bob da Rage Sense a gravar o seu primeiro álbum/Ep em 2002 intitulado de "Underground Konsciente".Um ano depois pela mesma label (madtapes), Bob e Laton (Kalibrados) dão início a gravação do segundo trabalho do artista "Bobinagem". Bob da Rage Sense em fases de querer terminar o segundo trabalho conhece o produtor e MC Sam da Kid que logo disponibilizou um dos beats que dá título ao álbum "Bobinagem" e "Luz do dia""Bobinagem" foi considerado pela revista Hip Hop Nation o melhor álbum independente de 2004 e foi o álbum mais votado na revista "skillz" no mesmo ano! Bob é um liricista nato, poeta eclético, político, espiritualista, activista dos direitos civis.

Halloween


Halloween, desde 1996 tem como estilo de vida o hip-hop, Residente em Odivelas finalmente decide lançar o seu primeiro album de originais, projecto Mary Wich. Apreendeu muito cedo a compor e a manifestar suas idéias através do rap. A rima coerente e a métrica ousada. Halloween é uma figura mais atuantes no underground Português. O seu recente álbum fala da dura e violenta realidade dos bairros de grande Lisboa : problemas de sempre : pobreza, falta de perspectivas, drogas e abandono pelo estado, é uma música de conteúdo por que é sincera como quem a compõe. Os propósitos principais do Halloween são resgatar a nostalgia étnica e ideológica através do hip hop e mais propriamente do rap através de suas letras bem elaboradas e directas. A rapida troca de flow num apice dà o tom exacto que o rapper quere transmitir. O seu estilo nao foge muito do rap tradicionalista, hardcore, relembrado o estilo dos Wu Tang Clan nos anos 90. As suas musicas tem uma sonoridade lenta sem, no entanto, deixaram de ser extremamente agressivas. Usando todo o seu lirismo para falar das ruas, também relata a vida do crime e tudo o que se associa ao mesmo. De igual modo, nao deixa de evidenciar os seus dotes e skillz. A sua narrativa mostra que vive 100% a crueldade da vida do crime.

Regula


Regula é um rapper português, residente no Catujal. Muito conhecido pelo seu flow, Regula é hoje dos rappers mais populares no movimento de Hip-Hop Português. Tem actualmente dois álbuns editados (1ª Jornada em 2002 e Tira Teimas em 2005) e uma Mix-tape (Kara Davis em 2007).
Regula também conhecido por Bellini é um MC Português residente no Catujal, concelho de Loures. Começou a ouvir Hip-Hop ainda novo, por influência de um tio, motivado por grupos como "Snap!", mas desligou-se da cultura entre 1990 e 1995. Foi então em 1995, quando ouviu pela primeira vez álbuns de RAP de artistas Portugueses, como o "Rapública" dos Black Company e "Dou-lhe Com A Alma" dos Da Weasel, que Regula começou a escrever as suas próprias rimas. Em 1996 começou a rimar juntamente com Tom, mas decidiu que seria melhor seguir uma carreira a solo, de modo a poder planeá-la á sua vontade.
No ano 2000 iniciou a preparação do seu álbum de estreia, que seria também a inauguração da editora "Encruzilhada Records". Em 2002 foi convidado por Sam The Kid para participar no seu álbum Sobre(tudo) que marcava assim a sua estreia em projectos editados. É então em 2002 que Regula se estreia com o seu primeiro album "1ª Jornada", álbum este que se tornou muito popular devido ao seu single "Especial" com a participação de NBC. O videoclip de "Especial" foi também muito rodado pelos canais de televisão Sol Música e SIC Radical.
A partir de 2002, Regula começou a ser convidado para participar em mix-tapes e álbuns de artistas como DJ Bomberjack, NBC, J-Cap, Kacetado, Xeg, Tekilla e Madvision.
No ano 2005 é editado o segundo álbum de originais de Regula, que marcava também assim, a ultima edição da Encruzilhada Records.
2007 marca o tão esperado regresso de Regula, com a mix-tape "Kara Davis" (mixado por DJ Kronic), já na editora Horizontal Records. Esta mix-tape foi muito bem recebida pelo publico, tendo vendido 1000 cópias em apenas 1 mês. A mix-tape contou ainda com um videoclip de promoção correspondente á primeira faixa.
Regula prepara neste momento o seu terceiro álbum que será, provavelmente, editado com o selo da Horizontal Records

Sam the kid


Samuel Mira originário de Chelas lançou o seu primeiro álbum, Entre(tanto), em 1999, na altura o Hip-Hop Tuga não era ainda o fenómeno que hoje já começa a ser, sendo portanto natural que o álbum de Samuel não chegasse aos ouvidos do grande público.Não seria preciso esperar muito para voltar a ter um álbum de Sam The Kid nas mãos, visto que logo em 2001 nos presenteia , um autêntico clássico do Hip-Hop português, Sam mostra-nos mais uma vez todos os seus dotes quer a rimar quer a produzir os beats sobre os quais "cospe" as suas rimas.De Sobre(tudo) o tema com direito a videoclip foi «Não Percebes». Mas podemos ainda destacar magníficos temas como: «Realidade Urbana», «Sociedade Confusa» ou «O Recado», é injusto mencionar apenas quatro temas do álbum, pois todos eles são muito bons, de qualquer das formas estes são bem representativos da enorme qualidade de Sobre(tudo).Provando claramente que não é apenas um rapper Samuel mostra-nos mais uma vez toda a sua classe e originalidade como produtor no álbum Beats Vol. 1 -Amor lançado para as ruas em 2002. O single de apresentação do álbum foi «Alma Gémea». O álbum foi altamente aclamado pela crítica e fez com que Sam the kid saltasse mais à vista de pessoas exteriores ao movimento que assim despertaram para o génio de Chelas.Sam The Kid conta ainda com participações em álbuns de grande parte dos rappers lusos, quer seja com beats seus ou com a sua voz, apenas como exemplo podemos citar a participação de Samuel nos dois álbuns de Regula, em Educação Visual de Valete ou em Ritmo Amor e Palavras de Boss Ac.O álbum de Samuel Mira é há muito aguardado, no entanto não surge qualquer novidade acerca da data de lançamento do álbum.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

MC

MC é um acrónimo para mestre de cerimónias. O MC surge nos Estados Unidos junto com a cultura Hip Hop. Começou animando as festas enquanto o dj misturava as músicas. O MC divertia o público e apoiava o dj, e mais tarde começou a se afirmar como principal atrativo das festas de Hip Hop.
Muito Popular agora no Brasil, os MC's desviaram das suas raízes no hip-hop e foram, a maioria, para o funk. Por exemplo temos a MC Tati Quebra-Barraco
MC's são pessoas que fazem letras para músicas, normalmente em rap. Muitos tornam-se punchliners, que são MC's que respondem em rap a outros MC's. Também existe o freestyle, onde os MC's improvisam, ou seja dizem o que lhes vai na alma.
A maioria dos MC's têm o espirito underground, ou seja, fazer rimas sem mostrar a cara, apenas o reconhecimento do talento e não de um corpo, isto é o espírito underground.

Hip Hop Dj

Um disc jockey (DJ ou dee jay) é um artista profissional que seleciona e roda as mais diferentes composições, previamente gravadas para um determinado público alvo, trabalhando seu conteúdo e diversificando seu trabalho em radiodifusão em frequência modulada (FM), pistas de dança de bailes, clubes, boates e danceterias.

Graffiti


Grafite ou Graffiti (do italiano graffiti, plural de graffito, "marca ou inscrição feita em um muro") é o nome dado às inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade - normalmente em espaço público.
Por muito tempo visto como um assunto irrelevante, o grafite é hoje considerado, conforme o ponto de vista, como contravenção ou como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais - mais especificamente, da street art ou arte urbana - em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade. A partir da revolução contracultural de maio de 1968, quando os muros de Paris foram suporte para inscrições de caráter poético-político, a prática do grafite generalizou-se pelo mundo, em diferentes contextos, diferentes tipos e estilos, que vão do simples rabisco ou de tags repetidas ad nauseam, como uma espécie de demarcação de território, até grandes murais executados em espaços especialmente designados para tal, ganhando status de verdadeiras obras de arte. Os grafites podem também estar associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, e a variados graus de transgressão.
Costuma-se diferenciar o grafite, de elaboração mais complexa, da simples pichação, normalmente considerada como contravenção. No entanto, muitos grafiteiros respeitáveis, como Osgemeos, autores de importantes trabalhos em várias paredes do mundo - aí incluída a fachada da Tate Modern de Londres - admitem ter um passado de pichadores.
Dentre os grafiteiros, talvez o mais célebre seja Jean-Michel Basquiat, que, no final dos anos 1970, despertou a atenção da imprensa novaiorquina, sobretudo pelas mensagens poéticas que deixava nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan.[1] Posteriormente Basquiat ganhou o rótulo de neo-expressionista e foi reconhecido como um dos mais significativos artistas do final do século XX.


Breakdance foi o nome dado pela mídia a quatro danças urbanas que surgiram nos anos 70: O Break ou Bboying de Nova Iorque e ao Popping e Locking de Los Angeles. Este termo é discriminado e considerado desrespeito à cultura hip hop e as danças urbanas.
- O bboying tem vários fundamentos,que são top rock,foot work,freeze e o power moves. - O popping que de movimentos inspirados nos soldados quando se deslocavam depois de serem baleados. - O loocking e um movimento mais engresado digamos assim que o dançarino transmite ao dançar.

Break dancer, New York
Breakdance (B-boying, Popping e Locking), por convenção, chama-se todas essas danças de Breakdance ou B-Boying. Apesar de terem a mesma origem, são de lugares distintos e por isso apresentam influências das mais variadas. Desde o início da década de 60, quando a onda de música negra assolou os Estados Unidos, a população das grandes cidades sentia uma maior proximidade com estes artistas, principalmente por sua maneira verdadeira de demonstrar a alma em suas canções.

2pac

Tupac Amaru Shakur, também conhecido por 2Pac, Makaveli, ou simplesmente 'Pac, (Nova Iorque, 16 de junho de 1971Las Vegas, 13 de setembro de 1996) foi um rapper, ator, poeta e ativista social. Ele entrou para o Guinness Book como o maior vendedor de CD de gangsta rap, com mais de 75 milhões de álbuns por todo o mundo, incluindo 50 milhões somente nos Estados Unidos. Seu nome de nascimento era Parish Lesane Crooks, porém sua mãe alterou logo após o nascimento, mudando a certidão de nascimento de acordo. Tupac Amaru significa "Serpente Resplandecente" em quechua, e é uma homenagem ao líder revolucionário Tupac . Shakur é a palavra árabe que significa "grato a Deus". Suas músicas tratavam da violência, desigualdade racial e às vezes de disputas com outros cantores de rap. Muitos fãs, críticos e membros da indústria fonográfica o nomeiam como o maior rapper de todos os tempos.
Foi morto em
1996 a tiros na cidade americana de Las Vegas, num crime que não foi esclarecido. Ele teria recebido cinco balas: duas na cabeça, duas na virilha e uma na mão no dia 07 de Setembro[1]. Ficou em coma durante sete dias e morreu em 13 de Setembro às 04h03.

Cypress Hill

Para muitos, os Cypress Hill foram os pioneiros do denominado rap-rock , um género musical que o grupo criou e começou a divulgar no final da década de 80. A história dos Cypress Hill começa em 88 com os DVX, banda formada por Sem Dog, o seu irmão mais novo Mellow Man Ace, o italiano DJ Muggs e o mexicano B-Real. Quando Mellow Man Ace sai do grupo, o trio decide passar a chamar-se Cypress Hill. O projecto consegue chamar a atenção com o seu primeiro single , o tema "How I Could Just Kill a Man". Assinam contrato com a Sony e em 1990 lançam o álbum de estreia, homónimo, e que alcançou muitos bons resultados em termos de crítica e de vendas.Muitas das letras cantadas pelos Cypress Hill falavam do consumo de drogas leves, sobretudo de haxixe. Na época, uma associação americana pró-liberalização do haxixe associa-se à música do grupo. A imprensa começa a dar destaque a esta questão, o que apenas contribui para uma maior divulgação da música dos Cypress Hill. Em 1992, o primeiro disco do grupo já tinha vendido mais de um milhão de cópias. No ano seguinte é editado o segundo álbum de originais - Black Sunday . Com este trabalho os Cypress Hill conseguem a consagração, sobretudo graças ao single Insane in the Brain . O sucesso leva-os a participar nalguns dos festivais de música mais significativos, como o Lollapolloza, e a colaborarem com grandes bandas da época, como os Pearl Jam ou os Sonic Youth.Em 1995, os Cypress Hill surgem com um terceiro disco intitulado Cypress Hill III - Temples of Boom . Nos anos que se seguiram, a banda dedicou-se a actuações ao vivo e também à participação em projectos paralelos a solo. B-Real chegou, neste período, a colaborar com grandes nomes do rap como Coolio e Dr. Dre.Em 1998, o grupo volta a reunir-se para lançar IV , o quarto trabalho originais dos Cypress Hill. É verdade que as vendas caíram ligeiramente mas a notoriedade da banda manteve-se intacta. Já em 2000 chega ao mercado um disco duplo intitulado Skull & Bones . Para a história da discografia do grupo ficam ainda os trabalhos Stoned Raiders , de 2001, e Till Death Do Us Apart , lançado em 2004.


Valete






Biografia Valete
Sou filho de São Tomenses. No fim dos anos 70, os meus pais vieram para Portugal. Meu pai veio estudar Engenharia Electrotécnica com uma bolsa de estudos e trouxe também a minha mãe. Já namoravam nessa altura. Fui um filho indesejado, a minha mãe ganhava dinheiro a costurar em casa e o meu pai sustentava-se com uma bolsa de estudos precária. Éramos pobres comó caralho. Vivíamos em Benfica, com mais duas famílias. Uma casa de 3 assoalhadas onde viviam 11 pessoas. Era mesmo fodido. Dinheiro nunca chegava e o meu pai teve que em vários momentos abandonar os estudos para ir trabalhar 10/12 horas por dia, em qualquer biscate que aparecesse.

Cresci com o meu pai a contar-me histórias da época colonial em São Tomé e também muitas histórias do apartheid na África do Sul. Creio ter sido daí que ganhei um certo espírito inconformado. Eu e o meu mano Dudu (1 ano mais novo que eu), que também vivia comigo em Benfica e mais tarde mudou-se para a Damaia de Cima, costumávamos passar os meses de Verão numa Colónia de Férias organizada pelo Hospital de Santa Maria (mãe dele era lá enfermeira). Lembro-me que para aí no ano de 90 ou 91 estava a bater bué Mc Hammer e Vanilla Ice. Nós passávamos a vida a dançar e a cantar aquilo. Na colónia organizávamos mesmo concursos de dança para ver quem se assemelhava mais ao Hammer ou ao Vanilla. Grandes Tempos.

Uns tempos depois conheci um primo meu afastado, que vivia nos Olivais, e ele mostrou-me Public Enemy e Run DMC. Xiii aquilo era diferente, fuck Hammer e Vanilla. Sentia-se muita energia na rima, muita dureza nas palavras. Tinha 12, 13 anos, e ficava fascinado com a forma como aqueles rappers se expressavam livremente, sem medo do politicamente incorrecto, sem medo das informalidades. Também era fantástico ver o impacto que uma letra podia ter nas pessoas. Public Enemy eram quase como professores para muitos dos jovens que os seguiam.

93 foi um ano decisivo para mim, e creio que para muitos rappers portugueses. Foi quando saiu o 1º álbum de Gabriel o Pensador. Foi o primeiro álbum de rap cantado em português que eu ouvi. Aquilo era mesmo viciante. E nessa altura foi quando pensei que também queria ser rapper, mas não avancei porque não tinha estímulos, não tinha mais ninguém para partilhar os meus gostos. Vivia na Calçada do Tojal em Benfica, e naquela zona só eu é que gostava de rap. Era foda.

Em 95 conheci o Adamastor e o Sílvio, também viviam em Benfica. E aí tudo mudou mesmo, eles falaram-me do programa Repto do José Mariño na Antena 3, tornei-me ouvinte assíduo e fui também dos primeiros clientes da TV Cabo. Estava sempre sintonizado na MTV a ver o “Yo MTV Raps”. Tornei-me quase um expert de HipHop music. Conhecia todos os mc’s, ouvia quase todos os álbuns.

Em 96 já estava mesmo determinado a ser um rapper, achava já que tinha conhecimento suficiente da História para começar. O Adamastor também já tinha começado a escrever rimas e incentivava-me muito, mas lembro-me que num curto espaço de tempo aconteceram duas coisas marcantes. Saiu na rádio uma maquete de Dealema com Ace “Mafilia”, e fui ao Johnny Guitar e vi o Nigga War e os Nexo a actuarem. Pensei: “Foda-se estes gajos são muitos bons, vou rimar para quê? Para ser só mais um?”. Não tinha confiança nenhuma, abandonei a ideia de começar a rimar.

Em 97, escrevi uma rima só mesmo naquela, mostrei ao Adamastor, ele curtiu, depois também mostrei ao Vinagre (que conheci nessa altura) e ele disse mesmo que não fazia sentido eu não continuar a rimar. Provavelmente senão fosse o incentivo do Adamastor e do Vinagre nunca teria continuado a rimar. São estas pequenas coisas que às vezes traçam o destino d’um gajo.

O Vinagre apresentou-me o Sam, e em casa do Sam gravámos uma maquete os 3. O Bomberjack ouviu e convidou-me a mim e ao Sam para a mix tape dele ”Reencontro do Vinyl vol 1”. Foi talvez o momento mais feliz na minha carreira de rap. Nessa mix-tape participavam também o Sanryze, Boss Ac, Nexo, Family, PacMan etc. Alguns dos melhores rappers daquela altura. O people gostou do que rimei ali. Meu nome espalhou pela comunidade HipHop. O José Mariño também passou a minha parte algumas vezes no programa dele, e a partir daí comecei a ser convidado para concertos e outras mix-tapes. Ainda em 97, em casa do Bomberjack gravámos a nossa primeira maquete “Mundo Resignado”. Ehehe podre comó caralho, mas era a primeira, compreende-se.

Dei vários concertos, com o Adamastor, continuei a participar em mix-tapes do Bomberjack e também do Cruzfader. Nessa altura, 98 estava muito hábil a fazer improvisos. Vivi um ano na Margem Sul e lá passava as noites a fazer battles e improvisos. Algumas cenas que fiz em mixtapes foram mesmo sem escrever.

O dia mais triste nesta minha Jornada pelo rap tuga foi em 99. Foi um concerto na margem sul. Ia actuar Nexo e Canal 115 (eu e o Adamastor). Levámos o Bomberjack, o Sam e o NBC para o nosso concerto. Tínhamos ensaiado duas semanas, estava lá toda a gente do HipHop de Lisboa e arredores. Demos um grande concerto, dos nossos melhores, mas o publico simplesmente não se manifestou. Cantávamos as músicas e era silêncio total. Nem um aplauso, só faltava mesmo atirarem-nos com tomates. E mais fodido é que os Nexo actuaram a seguir a nós e arrebentaram com aquilo tudo, levaram o público à loucura. Para completar a organização nem nos pagou o cachet. Foi mesmo traumático para mim, jurei nunca mais subir num palco. Era novo, e depois daquilo abandonei praticamente o rap. Convidavam-me para concertos, participações, mix-tapes, negava tudo. Nem nunca mais me viram em festas de HipHop. Já não queria mais saber.

Pouco tempo depois tinha entrado para a faculdade, para fazer o Curso de Ciências da Comunicação, já nem pensava em fazer rap. Estava deprimido, achava mesmo que ninguém me queria ouvir. Mas quem faz rap, sabe que isto é droga dura. É mesmo difícil largar. Conheci o Bónus, vi nele inspiração, e o Adamastor incentivava-me sempre, dizia que eu era especial, que eu tinha nascido para fazer rap. Motivei-me e em 2001 decidi fazer um álbum. Não tinha um tostão, nem sabia como e onde ia gravar o álbum. Tinham aparecido algumas editoras de rap, mas nenhuma me tinha feito convite. Estava desaparecido, muitos já nem se lembravam de mim, alguns pensavam mesmo que tinha abandonado o rap. Falei com o Bomberjack e ele deixou-me gravar os sons no home-studio dele. Depois mistura, masterização, reprodução de cd’s foi tudo pago com a ajuda dos amigos. Foi dessa forma que nasceu a Horizontal.

Setembro de 2002, saiu o meu primeiro álbum “Educação Visual”. Foi pesado, superou qualquer expectativa que pudesse ter. Recebia props de norte a sul do país. Senti mesmo que tinha feito algo importante para o rap português.

Em 2004 pela Horizontal, lançámos Poesia Urbana vol 1, fiz para essa compilação um som chamado “Fim Da Ditadura”. Senti que foi um som que também que teve muito impacto, inclusive pessoas muito distantes do HipHop, vinham-me falar desse som, e de como aquela música lhes tinha tocado. Esses elogios iam-me deixando cada vez mais confiante, comecei a acreditar mesmo que fazer rap, era quase como uma missão para mim. Devia isso às pessoas que me seguiam.

Em 2006, saiu o meu segundo álbum “Serviço Público”, o álbum teve um impacto bem para além da esfera do HipHop. Foi eleito pelos leitores do Blitz como uns dos 10 melhores álbuns de toda a música portuguesa em 2006, e foi também considerado por várias publicações como uma referência da música de intervenção em Portugal. O videoclip Anti-Herói teve 4 meses no top 20 dos videoclips mais votados da MTV, e sons como o “Roleta Russa” andavam na boca de toda a gente. Com o “Serviço Público” percebi mesmo que não era um mc só para “HipHoppers”. Senti mesmo que tinha esse dom para fazer rap comunicativo e para chegar com facilidade a todas as pessoas.

Estou agora a trabalhar no meu 3º álbum. Para mim será quase como um início porque nesta altura sinto que estou na minha melhor forma de sempre, e quero mostrar ás pessoas toda a minha versatilidade no rap. Depois do álbum, virão concertos, e mais projectos ligados à Horizontal. Acreditem , agora é mesmo um só caminho.













quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Halloween - exorcismo de mary witch